A preparação para o Treta começou pouco tempo após o Revox: Eu tinha completa noção de que não podia dar os mesmos deslizes da última vez, então comecei a procurar o que causou esses deslizes, o que podia ser corrigido no meu jogo e principalmente, a buscar mais conhecimento com meu personagem. Criei anotações específicas, sobre situações específicas contra personagens específicos. Criei setups, criei variações destes setups. Verifiquei métodos de saída para os meus setups e para os setups comuns em alguns matchups. Assisti atentamente grande parte das minhas partidas, gravei minhas derrotas e revisei elas quando perdia para algo que não entendia. A parte teórica foi bastante aprimorada nos pouco mais de sete meses antes do campeonato. Juntamente com o tempo de Training Mode praticando execução antes de procurar situações novas, perto da qualificatória local para o Treta Aftermath, intensifiquei a quantidade de partidas que joguei: Do final de maio ao final de agosto, foram aproximadamente 2000 partidas, sempre com a rotina de gravar e analisar o que deu errado e especialmente, por que deu errado. Se não fosse pelo pouco tempo livre (no máximo 4 horas por dia, mas a média era entre duas ou três), certamente teria praticado ainda mais.
Ouvi rumores de que o Dieminion viria para o Treta, e comecei a me preparar para a partida contra Guile. Pouco tempo depois, foi confirmado que ele não viria, e no lugar dele, Sakonoko e Ryan Hart. Sako foi confirmado pouco tempo depois, mas eu não tinha a mínima ideia de como treinar contra o estilo de jogo dele, exceto por um vídeo de um set contra o Nekojita (que assisti por volta de 10 vezes). Procurei jogar bastante contra jogadores habilidosos que usassem os mesmos personagens que eles, mas também vi isso como um problema por um lado. Afinal, mal temos um representante com bom nível de jogo para cada personagem... aliás, às vezes nem isso temos. De qualquer forma, parte do desafio foi jogar contra apenas um representante do personagem e saber diferenciar fator matchup do fator jogador, um problema comum por aqui. Vejo muitos jogadores enfrentando oponentes de alto nível razoavelmente bem, mas a experiência obtida não foi referente ao matchup, foi ao jogador. Isso realmente passa despercebido para vários níveis de jogo e causa grande impacto no momento da possível derrota - O oponente lhe derrotou de maneira convincente, mas ele era alguém que você reconhecia como oponente de nível inferior. A resposta? Você não conhece o matchup.
Tendo reconhecimento destes fatores, absorvendo respostas para diferentes estilos e reconhecendo a postura de jogo adequada para cada jogador, o erro começa a ter um único meio de aparecer: de si mesmo. Ainda hoje, existem elementos que nunca tive a oportunidade de usar. Não houve a chance de aplicar algo diferente do que costumo apresentar ou do que outros jogadores já conhecem. É um pouco difícil esconder algo que pode vencer um set (mesmo que tenha utilidade limitada, é algo que nunca foi visto. Logo, não pode ser previsto) quando você acaba de aprender, especialmente quando a chance aparece. Ironicamente, não enfrentei os personagens alvo dos novos setups durante o Treta Aftermath, e por isso, esses elementos seguem ocultos.
As coisas não acontecem por acaso. Eu tô ligado o quanto você treina e se dedica, e como você usa a metodologia certa pra otimizar esse tempo. Não é à toa que vc joga no nível que joga, bro. :)
ResponderExcluirGostei muito desta reflexao. E fico me perguntando que mixups sao estes que estao escondidos e em que momento serao usados? Talves no revox 2014 ou ainda melhor na EVO.
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