quarta-feira, 20 de novembro de 2013

(Parte 2/2) Review: 07/09/2013 - TRETA AFTERMATH

Mesmo com um grande atraso da minha parte, é hora da finalização: Este post conclui a minha visão sobre o Treta Aftermath. Primeiramente, gostaria de me desculpar pelo tempo que demorei para dar continuidade ao primeiro post. De qualquer forma, vamos aos fatos:

Dia 2 de Treta, o momento principal do evento estava a poucas horas dali (ao menos para mim).  O tempo de sono realmente valeu a pena. Antes de qualquer jogatina, antes de voltar ao hotel do evento... provavelmente foi a parte mais importante de todo o meu resultado por lá. Andavam raros os momentos onde consigo livrar a mente de qualquer tipo de pensamento constante sobre seja o que for. Creio que a tranquilidade antes do retorno ao campeonato tenha sido revigorante e fundamental.

Pouco tempo após o almoço, nos juntamos a, se eu não me engano... OTinhoso (aka. Pedro), Fatofi, Haztlan, Markin e Rafalibe, enquanto esperamos pela continuação e conclusão das pools do dia anterior, que pararam à meia-noite como regulamentado pelo hotel do evento. Não muito tempo depois, Ratex aparece no quarto onde estávamos jogando, dando início a um episódio bastante engraçado na minha opinião.

[O "Episódio Darktex"]

Voltando ao evento, as pools não haviam andado tanto quanto esperávamos. Seguimos aguardando por algum tempo, enquanto assistíamos a alguns games, andávamos ao redor, etc. Fui informado que realmente jogaria um set contra o Sakonoko, e a adrenalina rapidamente subiu. Também me disseram que o set seria antes do Top 32. Havia tempo, então voltei ao hotel onde ficava para comer alguma coisa. Antes de sair, Dark me pediu para ser Coach dele na sua partida contra o Ratex nas pools. Meio sem graça, aceito, mas sei que não sou bom nisso e posso acabar atrapalhando se não souber como falar o que eu penso. De qualquer forma, decidi ajudar, e consegui voltar a tempo para isso.

Dark não conseguiu resistir ao jogo do oponente e não se manteve sólido o bastante para ter reais chances de vitória, mas isso foi principalmente graças a falhas que vieram das suas próprias decisões, e não algo do qual ele foi induzido a fazer, ele simplesmente fez suas escolhas e elas não deram certo. Por outro lado, Ratex jogou um jogo difícil de decifrar. A melhor resposta seria tentar reverter o momento quando ele tivesse a ofensiva, mas a estratégia já não é realmente boa, partindo do princípio que a ofensiva do Adon é um dos piores pesadelos do Abel. De qualquer forma, era a única opção caso o jogador falhasse em quebrar a postura neutra do Ratex. Meus conselhos de nada funcionaram - Talvez não tenha sido compreendido, talvez a tensão do momento tenha tirado o plano da cabeça do Dark, algo do tipo... mas certamente não foram efetivos. Abaixo, uma das principais razões desse resultado:

No quarto, antes de quase todos saírem (e sobrar apenas OTinhoso e eu jogando) a jogatina seguiu, mas sequer sabíamos ao certo quando o torneio de AE iria recomeçar, graças à bagunça no cronograma. Ratex apareceu para jogar um pouco, fazer um warmup antes de voltar para o Treta e jogar pela sua pool... e principalmente para pegar uma noção maior sobre a partida contra Abel. Estávamos jogando sets pequenos, melhor de 3 games. Ratex soube manter seu jogo bastante sólido e paciente, soube jogar um estilo bem mais conservado do que costuma-se ver dos jogadores de Adon aqui no Brasil. Durante essa session, Ratex me venceu em um dos sets, e honestamente, parei para pensar um pouco sobre aquelas partidas depois. Deveria me preparar, pensei... mas com certeza ele estava preparado para a partida contra o Dark na sua pool.

Após essa partida, Dark foi chamado novamente para jogar, dessa vez pela Losers contra o Gigiolurez, que jogou de Guy. Infelizmente, não teve um bom resultado, acredito que ainda estava afetado pela derrota contra o Ratex, claramente mostrando um jogo abaixo da sua média.


[Warmup para a FT5]

O momento estava próximo, e sinceramente, eu já estava nervoso. Eu nunca imaginei ter oportunidades como estas, independente da frequência que isso vem acontecendo. Ainda assistindo as lutas restantes nas pools, Paludo me informa que "Sako já está aquecendo faz uns 20 minutos".
- Como assim? =o
Espantado, procurei espaço para fazer o mesmo o mais rápido possível. Não costumo fazer muitos warmups, mas eu sei muito bem a diferença que faz estar com a execução afiada em uma estação não-familiar.


Antes de mais nada, perto do final do warmup do Sako, fiz questão de remover o EVA que tinha colocado de baixo da Metal Plate do stick (Hori V3-SA é muito leve comparado a vários outros sticks usados atualmente, tem só 2,2kg. Aderência pode ser um problema) e pedi que ele assinasse o controle, assim como pedi para o Ryan (Nota: Ainda tenho arrependimentos sobre não ter a assinatura do Tokido e do Gamerbee no controle, assim como não renovei a do Combofiend que está quase apagando).

Para o warmup, obviamente chamei os jogadores que temos como referência em seus chars por aqui: SOA | Thomas "Ibukiman" Proença e Gegório "DG". Com o Thomas foram 10 games, com o DG, não tive tanta sorte: Fui chamado para jogar no final do primeiro game, mas tive tempo de compartilhar um pouco de informação pelo Training Mode antes disso.

[FT5 Contra Sakonoko]
E então, chegou a hora. Definitivamente, uma das coisas que me mantém jogando SF4: Para mim, uma vez que estou ali, o resultado deixa de ser importante... talvez nem mesmo a experiência seja o principal, mas o momento certamente é. Acho que a palavra que define melhor esse sentimento é satisfação. Em momento algum eu deixei de jogar para ganhar, muito menos não procurei o caminho da vitória, mas ali, vencer ou perder é mera consequência. Eu me sinto vitorioso por ter a oportunidade de conhecer um dos ídolos que inspiraram e ensinaram tantos jogadores ao redor do mundo, talvez até mesmo sem saber que o fizeram.

Ainda não farei a revisão completa da partida, mas vou apontar alguns pontos que me chamaram a atenção durante ela:

- Logo no começo, eu tremia de uma maneira que precisei forçar o corpo para não deixar muito aparente
- O close HP depois do Ultra 1 dele foi mera tentativa: Eu imaginei que iria funcionar, mas foi apenas um "eu acho que isso funciona agora"
- O Perfect foi pura sorte por vários fatores. 1: Meu primeiro Wheel Kick whiffado foi erro de espaçamento. Sakonoko reagiu a ele e teve a infelicidade de levar Full Combo. 2: É essencialmente errado usar Focus Attack após stun em um combo longo, eu queria conseguir encher o segundo EX para maximizar o dano (por sinal, não mataria se eu tivesse acertado), mas não consegui por causa da escala de Meter Gain que o Focus causou, o que levou a... 3: Eu não tinha EX para o FADC (que eu tentei pra caso conseguisse o segundo EX mesmo assim), o que me obrigou a usar o TT. Eu aprendi a detestar esse reset pelo preço que paguei com ele no Revox, então eu realmente não gostei de precisar fazer aquilo. PS- a cara fechada após o Perfect foi por estar tremendo... se eu virasse para qualquer direção eu ia parecer estar com Parkinson.
- A partir daí, Sako conseguiu colocar leituras extremamente fortes nos pontos cruciais do meu jogo, lendo minha resposta a pressão de perto em até dois movimentos antes da jogada atual, ou seja, não só ele soube aplicar Trap Pressure, como soube o que fazer APÓS essa Trap Pressure funcionar. Sako também notou o meu Whiff Punish e pescou ele com ataques mais lentos, como slide, me fazendo hesitar.
- Tentei punir um Hien, não consegui. Percebi que o jump-in não funcionou, mas pareceu haver tempo para tentar punir com jump-in depois do Block. No final da partida, Sako me ensinou isso.
- Raida é Throw Invincible. Ao perceber a minha tendência a usar agarrão regular na tentativa de manter a pressão de Stepkick segura, Sako partiu para o Raida com segurança, após assegurar vantagem.

Posso dizer com certeza, Sako tem um jogo que cobre a reputação que ele tem. Novamente, foi um privilégio ter a chance de enfrentar (e aprender com) um dos maiores jogadores de todos os tempos.

[TOP 32]
E então, hora do Top 32: O bom momento segue, a pressão aumenta. A vontade de ter um bom resultado se multiplica. Descubro que a minha próxima partida será contra SOA | House, ex-CNB, que tem um Gen bastante forte e sempre foi um oponente difícil. Apesar disso, meu maior medo contra ele era seu Fei Long, que me deu sérios problemas nas jogatinas do Treta Armageddon, no ano passado.

Consigo avançar, e meu próximo oponente é Bahiawong, que também representou grandes ameaças na edição anterior do Treta. Felizmente, segue sendo passado e avanço no TOP8, onde sou totalmente anulado pelo Yun do Ryan Hart, após levar o primeiro game contra seu Sagat.

A quem interessar, revisões das partidas contra House e Bahiawong estão no link abaixo. Gostaria de revisar a partida contra o Ryan Hart pela Winners, mas não tive acesso a todo o arquivo da partida.
http://soullesskeoma.blogspot.com.br/2013/09/aftermath-reviews-2-e-3-soahouse-e.html


[EXTRA: Chicken Episode - Batalha das Fireballs Compressoras de Tempo]
Em algum momento do Top 8:  GR|Breno F1ght3rs vs. WW.MCZ|Ryan Hart, Game 1. Estava assistindo pelo monitor em que eles jogavam. Ryan com Sagat, Breno abre com Evil Ryu. Stage: Crowded Downtown. A primeira Fireball é um sinal de que as coisas não serão boas para nenhum dos lados: Imagino estar vendo coisas, mas assim que a Fireball saiu, slowdown e queda de framerate. Breno absorve, mais slowdown. Ryan spamma seis fireballs, Breno engole as seis em Counter. Imediatamente, Breno não vê outra opção sem ser pular, e morre em seguida.

Game 2, Training Stage, nada disso acontece.

Perguntei para Ryan se eu vi direito o que aconteceu, ele confirma e reclama que "No PS3, os Organizadores PRECISAM reforçar a regra do Training Stage. É totalmente comum esse tipo de problema em outros cenários." Comentei com ele sobre alguma coisa referente ao frango que cai no cenário, e ele acabou respondendo sobre o slowdown: "Yeah, that's because of the chicken! (lol)". Trocamos algumas infos sobre os cenários, incluindo o slowdown instantâneo do EX Tatsu do Ryu na Mist Bay, mais um exclusivo no PS3.

[TOP 8, Losers]
De volta ao campeonato, momento crucial, a Losers Bracket. Não houve muito tempo para pensar no que exatamente me atropelou pouco tempo atrás, fui rapidamente chamado para enfrentar o House mais uma vez... que decide ir de Fei Long. Meus medos se revelam inferiores ao que posso fazer, e com a devida resistência, consigo vencer o set por 2-0. Infelizmente, essa partida foi Off-Stream e não há nenhuma gravação dela.

Ao mesmo tempo, jogavam CNB.Chuchu e Kbot, logo ao lado. Chuchu vence a partida, o que significa que nos enfrentaríamos novamente, e assim foi. A terceira vez em que nos enfrentamos em campeonatos interestaduais, um tipo de Tie-Break nas competições offline (Venci no Treta Armageddon e Chuchu venceu no Revox). Para a partida que me daria a oportunidade de tentar me redimir pelo massacre unilateral contra o Yun do Ryan Hart.
Como esperado, a partida foi extremamente difícil e passei por momentos de sorte, como o drop que tirou o Chuchu do campeonato. A revisão desse set está no link abaixo.
http://soullesskeoma.blogspot.com.br/2013/09/aftermath-reviews-1-losers-semi-vs.html

Após uma vitória sofrida (e talvez até não merecida), hora de enfrentar a lenda mais uma vez: Sem pensar duas vezes, Ryan pula direto para o Yun, na tentativa de evitar qualquer possível reação que eu possa ter.
http://soullesskeoma.blogspot.com.br/2013/10/aftermath-reviews-4-vs-wwmczryan-hart.html

Infelizmente, meus esforços não são o bastante para pará-lo, e finalizo minha participação com o terceiro lugar mais uma vez,  novamente a posição mais alta de um jogador nacional. Sim, estou satisfeito com o terceiro lugar, mas não posso dizer o mesmo sobre o que impediu um resultado ainda melhor. Algumas das decisões ruins desta partida estão na minha cabeça até agora, como uma ferida que demora para curar. Certamente, a cicatriz está lá, mas ela é a prova de que eu resisti à ferida. Por pior que possa ter sido por um lado, nem tudo foi perda: Eu não consigo descrever a minha satisfação em ter ao menos eliminado a barreira do Yun do Ryan Hart naquela situação, onde tudo parecia tão perdido para todos que assistiam. Levei meu jogo ao limite do que tinha naquele momento, e me pareceu suficiente para superar a situação - o trabalho maior é me manter no topo do meu jogo e elevar seu pico, a clássica meta que sempre se renova a cada grande experiência.


[Spectator Mode]

O Treta Aftermath ainda não acabou. Quanto à partida entre Ryan Hart e Sako, eu posso dizer que o clima ali mudou completamente: Diante de mim, uma verdadeira batalha, não apenas o sentimento de Fair Play, não apenas boas partidas entre dois gigantes dos Fighting Games como conhecemos, mas um verdadeiro duelo entre dois fortes candidatos à vaga na Capcom Cup. Mais uma vez, a demonstração de poder dos dois lados é apenas consequência e resposta das situações apresentadas na partida. E é em momentos como esse que a resposta não é visível a todos, mas talvez apenas aos que constroem o momento.
Com isso, tivemos o privilégio de assistir ao mais alto nível criando jogadas que nunca vimos antes, e dando um show à parte pela inteligência somada a todo o conhecimento e experiência obtidos durante toda sua jornada. Sako sai vitorioso e garante a vaga na Capcom Cup, mantendo o grande momento logo após uma campanha quase perfeita na Topanga Asia League.


[Finalizando]

Terminada a cerimônia de encerramento, finalmente a ficha caiu: Eu finalmente percebi o que tinha acabado de acontecer e não consegui esconder o quão feliz estava por tudo aquilo que pude presenciar e conquistar. Até então, o Treta para mim vem sendo o lugar onde tudo que eu imaginei quando assisti o EVO Moment #37 pela primeira vez tomou forma. Não sei expressar exatamente o significado disso, mas se um dia eu sonhei com um palco onde o jogador é a atração, certamente o Treta foi onde meu sonho se revelou uma meta e esteve mais próximo da realidade. Lá, vivi momentos que desejei 9 anos atrás, e que me pareciam mera ilusão. Hoje, sinto ter a capacidade de viver estes momentos, e continuarei me esforçando para que esse sentimento não seja apenas empolgação pelo momento atual.

Após pedir algumas dicas para Ryan e Sako, me despeço do Treta Aftermath com o sentimento de ter cumprido uma missão, e esperando pela próxima oportunidade.


Agradecimentos especiais a:
- Luisa Cornetet, mantendo a média de namorada sensacional e que até me mandou treinar quando eu não queria (lol)
- Sarah e Shin pelo apoio
- Marcel Dutra (MarcelGDS) e Jeferson Santos (Pooch) por toda a força que me deram com os problemas que tive chegando em Curitiba
- Bruno "Dothan"  Rocha, único colega de treino offline e que sempre joga na minha cara quando eu jogo como um idiota
- Lucas Paludo, Giovane Lurezonski e todo o staff do Treta pela oportunidade do set contra Sako e pelo grande evento que o Treta foi
- Rick Ribeiro e Alexandre Teoi pela cobertura fotográfica
- Todos com quem pude interagir durante o evento
- e-Fighters Arcade Design por ter uma chave philips quando eu precisei
- Todos que esqueci de citar aqui

Obrigado a todos que tiveram saco de ler até o final, até o próximo post =)

4 comentários:

  1. Parabéns pela "SAGA" do Treta! Muito bom pra quem curtiu o evento saber mais detalhes!

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  2. Muito bom cara, eu não sou nem um pouco ligado no competitivo, até hoje só tinha ouvido as pessoas falarem batendo nas mesmas teclas : Ludo e Chuchu. Obviamente sem desmerecer nenhum dos dois, acho que sucesso não se conquista sem habilidade nesse meio, mas mesmo sem ter nunca ouvido falar de você antes, depois do Treta, eu sem sombra de dúvida virei seu fã.
    Abraços, e parabéns pelas conquistas.

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